A Formação do Engenheiro de Custos | Blogs Pini
11/Fevereiro/2015

A Formação do Engenheiro de Custos

Aldo Dórea Mattos

Quando meu pai se formou em Engenharia, lá nos idos de 1962, a formação do engenheiro era realmente politécnica. A distinção entre Civil, Mecânica e Elétrica ainda estava no começo. De lá para cá muita coisa mudou, o conhecimento técnico cresceu enormemente, levando os profissionais a optar por alguma especialização. Basta ver que da Engenharia Civil surgiu a Engenharia de Produção, que já está desmembrada em Civil e Mecânica; da Engenharia Elétrica brotou a Eletrônica, de onde depois nasceu a Mecatrônica. 

Nesse contexto de especialização, uma carreira está tomando forma: o Engenheiro de Custos. Embora o termo não seja ainda muito difundido no país, nas construtoras há sempre a procura por orçamentistas e planejadores de ofício, funções que a meu ver deveriam estar visceralmente mescladas. É aí que entra este nobre ser, o polivalente e diligente Engenheiro de Custos. 

Em que pese o nome dar a entender que esse profissional se dedica apenas a orçar obras, a acepção real é bastante mais ampla. Usando a definição da AACE, de que gosto bastante, Total Cost Management (ou Gerenciamento de Custos Total) "é a área da prática de engenharia onde juízos de engenharia e experiência são utilizados na aplicação de princípios científicos e técnicas a problemas de negócios e planejamento de programa; estimativa de custos; análise econômica e financeira; engenharia de custos; gestão de programas e projetos; planejamento e programação; medição de desempenho de custo e cronograma; e controle de mudanças". 

Nota-se claramente que o que se quer do tal Engenheiro de Custos é que ele seja um técnico que transite com facilidade por todas as etapas do ciclo de vida de uma edificação ou instalação, englobando desde o estudo de viabilidade até a gestão econômica do ativo. O Engenheiro de Custos é, portanto, um gerente de múltiplas habilidades, algumas das quais adquiridas com estudo e capacitação, outras com vivência em obras e empreendimentos de Engenharia.

Nas construtoras e na Administração Pública vejo que há uma distinção clara entre o orçamentista e o planejador. Um orça, o outro faz cronogramas. Da definição acima depreende-se que ambos são espécies de um mesmo gênero: Engenheiro de Custos. Se você perguntar a um americano o que ele fez na construtora é mais fácil você ouvir ele dizer que é Cost Engineer ou técnico de Project Controls do que propriamente cost estimator ou planner

Mas o que esse profissional precisa saber? Considerando que o Engenheiro vê na faculdade poucas disciplinas ligadas a gestão, e quase sempre superficialmente, cabe a ele qualificar-se posteriormente numa gama de assuntos relacionados com orçamento, planejamento, gestão de riscos, engenharia econômica etc. 

Vou dar meu testemunho. Eu me formei em Engenharia Civil pela UFBA em 1987 e logo em seguida embarquei num Mestrado. Quando, pelas vias do destino, fui parar na construção civil, percebi que não sabia o que era medição, contrato por preço global, aditivo, BDI, valor presente, seguro de responsabilidade civil, arbitragem, folga livre, etc. A saída foi aprender meio que "na raça", recorrendo para tanto à boa vontade dos colegas (geralmente os mais velhos) e aos livros e apostilas que eu ia encontrando pela frente. 

A AACE, em sua Recommended Practice RP11R-88 - Required Skills and Knowledge of Cost Engineering, traz o seguinte conteúdo básico para a formação plena de um Engenheiro de Custos: 

 Cada caixinha desta figura está detalhada na RP. É uma verdadeira ementa para um baita curso de especialização... :) 

E você? Que depoimento nos dá sobre sua formação?