As utilidades da Curva ABC de Insumos | Blogs Pini
24/Março/2014

As utilidades da Curva ABC de Insumos

Aldo Dórea Mattos

Já tendo abordado anteriormente as utilidades da Curva ABC de Serviços, cabe-nos agora tratar da Curva ABC de Insumos, que nada mais é do que a ordenação dos insumos de mão de obra, material e equipamento em ordem decrescente de custo total, com as colunas de percentual simples e acumulado.

Enquanto a Curva ABC de Serviços coloca os serviços em ordem decrescente de custo, na Curva ABC de Insumos vamos identificar os insumos, ou seja, os "ingredientes" que compõem os serviços. Na Curva ABC de Insumos não aparece "fôrma", mas sim carpinteiro, ajudante, chapa compensada, prego e desmoldante. Não aparece "escavação", mas sim trator, operador e assim por diante.

Não é difícil perceber que a Curva ABC de Insumos é muito mais extensa do que a de Serviços.

O nome ABC decorre das faixas que podem ser definidas na tabela:
 Faixa A - engloba os insumos que perfazem 50% do custo total da obra;
 Faixa B - engloba os insumos entre os percentuais acumulados de 50% e 80% do custo total;
 Faixa C - são os insumos restantes.

Esse comportamento reflete bem o que se chama "Regra de Pareto": 80% das consequências advêm de 20% das causas.

Algumas utilidades da Curva ABC de Insumos são:

I. Identificação dos insumos que mais impactam no custo total da obra - os insumos que ficam no topo da tabela são aqueles de maior representatividade no orçamento. Desta forma, são eles que precisam ser cotados/negociados com mais atenção;

II. Priorização para negociação - os insumos que ocupam posições mais altas na Curva ABC deverão ser objeto de negociação mais cautelosa com os fornecedores do que serviços de menor representatividade no todo. Recomenda-se que para os itens principais sejam obtidas mais cotações de preço do que para itens menos relevantes;

III. Avaliação de impactos - periodicamente durante a execução da obra é sempre bom o gestor avaliar o custo real dos insumos das faixas A e B da obra. Um inesperado aumento de custo num insumo da faixa A terá um efeito muito maior no resultado da obra do que num insumo da faixa C;

IV. Validação de orçamento - o diretor ou a equipe técnica de uma construtora deve concentrar seus esforços de validação de um orçamento justamente nos insumos que compõem as faixas A e B, pois esses poucos insumos representam 80% do custo total da obra. Essa orientação ajuda a focar no que realmente importa;

V. Orçamento de alimentação, transporte e equipamento de proteção individual - veja neste blog nas próximas semanas!

Abaixo representamos a Curva ABC de Insumos do mesmo prédio residencial que usamos no exemplo da Curva ABC de Serviços. Como a tabela é longa, representamos apenas a parte superior (faixas A e B) e o final da tabela (itens menos desprezíveis).

Pergunto:

(i) Até que insumo vai a faixa A?
(ii) E a faixa B?
(iii) A equipe gestora dessa obra deverá despender mais energia na negociação de compra da cerâmica esmaltada ou da chapa de aço?
E você? Que experiência tem com Curva ABC de Insumos?