Depois das Arquiteturas Avançadas | Blogs Pini
17/Outubro/2016

Depois das Arquiteturas Avançadas

Affonso Orciuoli | Victor Sardenberg

Começamos este blog em outubro de 2013 e este post é marcado por dois motivos: é, ao mesmo tempo, o centésimo e o último que publicamos. Três anos são o suficiente para muitas coisas mudarem em alguns campos do conhecimento e, ao mesmo tempo, um período muito breve para outros campos. Desde que começamos este blog, com o post em que nos propomos a destilar informação, ou seja, dar tempo para ela se desenvolver em outras coisas, a Arquitetura tomou rumos novos que necessitam de uma nova cartografia. Para nós, a maior transformação pode ser sintetizada em uma frase de Hernan Diaz Alonso durante uma banca na Angewandte (Viena) em 2015: “Desde o surgimento do digital na Arquitetura, se nossa disciplina fosse o cinema, estaríamos mais obcecados pelo making of do que pelo filme em si”.

As tecnologias digitais foram tão disruptivas que nossos colegas arquitetos passaram a ficar mais interessados no como tais ferramentas são capazes de produzir formas e objetos construídos do que em o que elas produzem. O uso da ferramenta se tornou um discurso em si, não mais focando em questões disciplinares da arquitetura, como efeitos espaciais, relações entre o todo e as partes, o dentro e o fora, cheios e vazios. Resumindo, o processo se tornou mais importante que o produto.

Nestes mesmos três anos, vimos uma série de exposições curadas por Greg Lynn no Canadian Center for Architecture. Seu tema resume o zeitgeist porvir de nossa disciplina: a arqueologia do digital. Seu objetivo foi mudar a conjugação do verbo na frase: No futuro, o digital será capaz de... Seu curador, o mesmo que mapeou a introdução das ferramentas digitais e da filosofia de Deleuze na arquitetura na revista AD com o tema Folding Architecture em 1993, faz uma colocação provocativa: No passado, o digital foi capaz de...

Com isso, não queremos fazer uma crítica nostálgica da arquitetura contemporânea argumentando por uma volta a meios mais tradicionais de projeto, mas sim dar um passo à frente no digital. Queremos não mais ver o digital como um meio neutro capaz de aceitar qualquer coisa. Como diz o provérbio popular: “o papel aceita tudo”. Nos parece que o software aceita ainda mais.

Agora trata-se de entender quais são as qualidades estéticas e implicações políticas e sociais do digital, entender o quão carregado de tradições culturais e construtivas essa mídia é e perceber o quanto ela transformou a arquitetura e onde ela falhou em suas promessas (Não seriam as superfícies NURBS apenas um grid UV deformado?).

Assim, encerramos este blog com perguntas diferentes das de três anos atrás. A princípio, queríamos espalhar a conversa sobre este tema que tínhamos entre nós e alguns poucos pares no Brasil. A pesquisa sobre a implicação da computação em arquitetura, que tinha poucos interessados quando começamos o blog em 2013, parece ter se disseminado. Prova disso foi o evento RhinoDay em São Paulo, onde dezenas de palestrantes de todo o Brasil mostraram seus trabalhos. Se colaboramos um pouco para tal, já consideramos o blog um sucesso.

O digital está morto. Vida longa ao digital!

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