O que é Overhead | Blogs Pini
2/Outubro/2014

O que é Overhead

Aldo Dórea Mattos

Como em todas as áreas no Brasil, a Engenharia de Custos também vem sofrendo a invasão de termos estrangeiros, sobretudo ingleses. Particularmente sou contra a utilização de uma palavra em inglês se há uma similar em português. É o que acontece com overhead, um termo que é empregado em diferentes acepções no mercado, algumas até incorretas. 

A aplicação mais comum da palavra overhead no Brasil é como sinônimo de administração central, porém há uma impropriedade nessa sinonímia. Vejamos como a AACE define overhead em sua Recommended Practice RP10S-90 - Cost Engineering Terminology: 

OVERHEAD - A cost or expense inherent in the performing of an operation, (e.g., engineering, construction, operating, or manufacturing) which cannot be charged to or identified with a part of the work, product or asset and, therefore, must be allocated on some arbitrary base believed to be equitable, or handled as a business expense independent of the volume of production. 

Ora, o que se depreende da expressão é que overhead é, na verdade, sinônimo de despesas indiretas e não de administração central! 

Nos EUA, os orçamentistas costumam dividir o overhead em duas partes: 

  •          Field overhead - corresponde à nossa Administração Local, ou seja,o custo de pessoal de supervisão, gerência e administração da obra, e as despesas gerais (luz, água, material de escritório, etc.);
  •          Home office overhead (HOOH) - este, sim, é o equivalente à nossa Administração Central, ou seja, o rateio do custo da matriz entre as diversas obras. 

Mas como se calcula a TAXA DE ADMINISTRAÇÃO CENTRAL a ser embutida nos orçamentos da construtora? 

As construtoras geralmente dispõem de uma matriz (escritório central ou sede) onde se baseia a administração central da empresa. A administração central é a estrutura necessária para execução das atividades de direção geral da empresa, incluindo as áreas administrativa, financeira, contábil, técnica, de suprimento etc. 

O escritório central é, a rigor, um gerador de despesas, sem ser propriamente um gerador de receitas, pois de fato são as obras que internam dinheiro na empresa. Então, quem arca com as despesas da matriz? Logicamente são as obras - e para isso a construtora precisa embutir no orçamento de suas obras uma provisão de recursos para o custeio do escritório central. As obras rateiam os custos da matriz e remetem mensalmente uma cota proporcional ao porte de cada contrato. É a isso que se denomina o nome de Taxa de Administração Central

As despesas que devem ser cobertas pela taxa são: 

 

Os custos da administração central são rateados entre as várias obras da empresa, proporcionalmente ao porte de cada uma. 

Para estimar a Taxa de Administração Central a ser praticada, o orçamentista deve elaborar o orçamento anual da administração central e estimar percentualmente a representatividade deste custo em relação à movimentação de dinheiro das obras durante o ano. 

Vejamos um exemplo. Abaixo está mostrado o custo anual estimado da administração central (escritório e terreno alugado para depósito) de uma construtora de médio porte 

Administração Central (previsão para o ano seguinte): 

 

Esse valor deverá ser dividido pelo volume das obras. 

Se os R$850.400 forem divididos pelo CUSTO estimado das obras atuais e futuras no ano vindouro, a Taxa de Administração Central será sempre aplicada pelo orçamentista sobre o CUSTO das obras que ele vier a orçar. 

Se os R$850.400 forem divididos pelo FATURAMENTO estimado das obras atuais e futuras no ano vindouro, a Taxa de Administração Central será sempre aplicada pelo orçamentista sobre o FATURAMENTO das obras que ele vier a orçar.

Da matemática básica depreende-se que, se a taxa for calculada sobre CUSTO, ela será percentualmente mais alta do que se aplicada sobre FATURAMENTO, embora o valor absoluto seja o mesmo. 

Resolvamos o exemplo supondo os dois cenários (não se fixem nos valores, mas na sistemática de cálculo - o importante é notar que o valor absoluto é o mesmo!): 

a)      SOBRE O CUSTO

Custo das obras em 2015:

Contratos em andamento (parcela referente a 2015) ................ R$ 12.000.000,00

Contratos a serem conquistados (parcela referente a 2015) ..... R$ 9.000.000,00

Total custo 2015 ......................................................................... R$21.000.000,00

Taxa de administração central = 850.400/21.000.000 = 4,0% 

Então, em todo orçamento o custo total (= direto + indireto) deverá ser acrescido de 4,0% a fim de dotar a obra de recursos para envio à matriz. Todas as obras remeterão o mesmo percentual de 4,0% sobre os custos. 

b)      SOBRE O FATURAMENTO

Faturamento das obras em 2015:

Faturamento em andamento (parcela referente a 2015) ............. R$18.000.000,00

Faturamento a serem conquistados (parcela referente a 2015) .. R$ 13.500.000,00

Total faturamento 2015................................................................. R$ 31.500.000,00

Taxa de administração central = 850.400/31.500.000 = 2,7% 

Então, em todo orçamento serão embutidos 2,7% sobre o faturamento a fim de dotar a obra de recursos para envio à matriz. Todas as obras remeterão o mesmo percentual de 2,7% sobre o faturamento. 

Em um dos acórdãos do Tribunal de Contas da União consta um intervalo de Taxa de Administração Central cujo limite inferior é 0,11% sobre o custo - cá com meus botões, esta conta só fecha se a sede da empresa for no carro do engenheiro! :)  

E você? Conhecia o termo overhead? Que taxa de administração central sua construtora utiliza? Sobre o custo ou sobre o faturamento?